terça-feira, 26 de abril de 2016

"A vida em fios e tecidos"


"Na trama da vida, costuro, 

Sem me perguntar donde sai aquele 
ponto ou o outro...
No vai e vem de agulhas e linhas,
permito reviver: no ponto atrás, o 
passado; no caseado, o presente 
e no alinhavo, o futuro...
Nos tecidos colocados e escolhidos 
trago para este instante momentos 
vividos significativos e aqueles 
também que estão por vir...
Teço e bordo minhas memórias 
trazendo para o momento aquilo que 
encontro em min'alma." (Factima El Samra)







domingo, 10 de abril de 2016

A Escuridão além do olhar: Diálogos no escuro

"Na escuridão escuto o que não ouvia; na escuridão escuto o que antes não escutava; na escuridão sinto o que não sentia e na escuridão percebo coisas dantes não percebidas..." 

Cada vez mais descubro a dimensão da não visão... 
Compreendo cada vez mais os que meus alunos sentem adentrando neste universo onde eles são mestres: "a escuridão além do olhar".
É neste distanciamento do olhar em que me encontro e nele percebo, como minha amiga Lili diz: "O olhar do coração"; um olhar além daquilo que estamos habituados a sentir, fazer e ser... , um olhar de uma alma reverenciando a outra.


Visitem a exposição: Diálogos no Escuro no  Unibes Cultural e surpreendam-se...





domingo, 3 de abril de 2016

Fazer com as mãos: O Tecer como Expressão da Alma







Oração das Mulheres Modernas à Deusa do Éter


Pensei que precisava de muitas coisas
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Um espaço para organizar as coisas que já tenho
E priorizar aquelas que penso querer
Pensei que precisava de uma casa perfeita
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Um espaço para não sufocar meu ar
Nem apagar meu fogo
Um espaço para não secar minha água
Nem enrijecer demais minha terra
Meu corpo-mente é este espaço sagrado
O local onde construo a casa dos meus sonhos
Pensei que precisava saber tudo - ler todos os livros, fazer todos os cursos
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Um espaço para canalizar a Sabedoria Divina
Pensei que precisava que me enquadrar
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Um espaço para minha artista pintar seu autêntico quadro mental
Pensei que precisava correr atrás do dinheiro
Quando me dei conta, preciso de espaço
Um espaço para reconhecer meu valor próprio
Pensei que precisava me defender
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Um espaço para manifestar a vulnerabilidade de ser uma mulher real
Pensei que precisava me estabelecer e definir
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Espaço para ir e vir, para fluir, para experimentar, para viver
Pois antes do definir, é preciso dar espaço para o sentir
Pensei que precisava fazer, fazer, fazer
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Um espaço para receber 
A luz do sol, o frescor da lua
O sal do mar e o brilho de um olhar
A carícia do vento em minha pele 
E a terra sob meus pés, relembrando-me...
Pensei que precisava de mais e mais
Quando me dei conta, preciso apenas de espaço
Um espaço para cada vez menos
Menos do mesmo
E mais do novo
Preciso apenas de espaço
Um espaço para meditar
Inteira-mente, respirar
E em meu útero
Minhas mãos em triângulo repousar
Preciso apenas de espaço
Um espaço para ascender as velas e os incensos de meu altar
E cantar, dançar, celebrar…
Também chorar, me descabelar e morrer…
Me tocar, me amar, me hornrar…
E por fim, somente agradecer
Pela magia do Feminino Ser
Foi a Deusa do Éter que falou comigo
Me pedindo amorosamente para esvaziar
Que eu não colocasse nada mais neste lugar
Nem as mais amadas pessoas
Nem as mais lúcidas teorias
Nem os mais sublimes papéis que represento
Nem mesmo os mais belos objetos de desejo
Este espaço, só pertence, a Mim.


Autora: Thais Pires de Andrade

Colagem e pintura: Fátima Castro